O resveratrol, uma substância presente em mais de 70 espécies de plantas e em boa quantidade nas cascas das uvas e nos vinho tinto, é a nova esperança no tratamento do câncer de mama. Estudo de pesquisadores brasileiros, publicado na revista Nutrição profissional, sugere que esse polifenol age como um fitoestrógeno capaz de se ligar e ativar receptores de hormônio estrogênio. Além disso, é antioxidante, anti-inflamatório e estimula a morte de células malignas.
Segundo pesquisas, mulheres que consomem grade quantidade de fitoestrógenos (moléculas sintetizadas por plantas com estrutura similar ao hormônio estrogênio) têm menor chance de sofrer de câncer de mama. “A ação do resveratrol já foi demostrada também em celular tumorais não dependentes de hormônios”, diz a nutricionista Danielly Cristiny da Costa.
Mas, na literatura científica, há poucos estudos com humanos envolvendo o uso de resveratrol e seus efeitos a longo prazo. Portanto, ainda não é possível afirmar se o composto seria eficaz em mulheres que já sofrem de câncer de mama. “É preciso investigar melhor os efeitos do resveratrol em indivíduos saudáveis”, esclarece a especialista. “Estudos com modelos animais e células em cultura mostram que a substância atua em todas as fases de desenvolvimento tumoral, promovendo efeito quimiopreventivos e quimioterápicos”.
Efeito antitumoral. Esses modelos indicam que o uso de resveratrol associado a drogas quimioterápicas, já indicadas no tratamento do câncer de mama, poderia potencializar o efeito antitumoral, além de minimizar os danos colaterais causados pela aplicação da droga isoladamente. O resveratrol é capaz de atuar em cânceres de próstata, pulmão, fígado, traqueia e pele, entre outros. “Estes são dados de pesquisa básica, como modelos de laboratório. Mais estudos com humanos precisam ser consuzidos”, justifica Danielly. Não é possível saber a quantidade ideal de alimentos ricos em resveratrol que devem ser consumidos, já que ele é metabolizado, degradado e excretado. Ou seja, é possível que haja uma perda antes mesmo de substância alcançar os tecidos.
O ideal é consumidor fontes de resveratrol de forma regular, já que o corpo armazena este composto. Mas nada de excesso. Apesar de a substância ser aparentemente bem tolerada, não há dados suficientes sobre suas ações a longo prazo.
Educação para reduzir a doença O câncer de mama é o segundo tipo mais comum entre as mulheres e estima-se que, em 2010, no Brasil, serão 49,2 mil novos casos. Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam altas no País, muito provavelmente porque a doença é diagnosticada em estágios avançados. Na entrevista a seguir, mastologista Pedro Aurélio Ormonde fala da importância da educação na prevenção e no diagnóstico precoce.
Altos Índices – “Apesar da mamografia, ainda chegam muitas mulheres com tumores palpáveis aos hospitais de câncer. Por outro lado, tem aumentado o número de diagnósticos de tumor no início. Mesmo assim acho que falta mais educação, informação sobre a doença. Com relação à indicação de mamografia, o Inca entende que, do ponto de vista de rastreamento nacional de câncer, este exame é mais benéfico a partir dos 50 anos do que dos 40. E o Ministério da Saúde diz que a mulher a partir dos 40 anos está apta a se submeter à mamografia, se tiver indicação médica. As duas recomendações não são contraditórias. Além disso, há outros exames menos falados, como ultrassonografia ou ressonância, e o próprio autoexame”.
Erros de diagnósticos – “Há poucos dias, vimos notícias de possíveis erros de diagnósticos dos carcinomas inicias da mama. Acontece que é muito limítrofe a diferenciação desse câncer. Antes, esse tipo de tumor nem era detectado. Então, a opção hoje é a ressecção, a cirurgia da mama, para evitar a infiltração. Às vezes, é muito difícil que a paciente entenda isso. Por que vão tirar parte de sua mama se foram observadas apenas microcalcificações e não há lesão? E hoje existe a possibilidade de reconstrução mamária com bons resultados. De qualquer forma, o tratamento do câncer de mama é multidisciplinar e não se limita ao mastologista, ao cirurgião e ao radiologista.”
Plástica – “Para indicar a plástica após a cirurgia é preciso muita segurança de que a primeira fase do tratamento foi curativa, e não podem ficar dúvidas. Daí a importância do exame que pode mostrar metástase.” Apoio da família – “É essencial para lidar com a doença. Já vi casos de maridos que internaram as mulheres com câncer e as abandonaram. O que pude observar nesses anos é que as pacientes com o tumor têm alguma história de perda prévia, e a doença tem um fator psicológico importante.”
Tratamento – “Cada caso tem que ser visto individualmente. Há pacientes que têm indicação de quimioterapia, outras de hormonioterapia, ou as duas coisas. E há casos que oferecemos o que é necessário e não temos resultado satisfatório. O tratamento hoje é cada vez mais seletivo o que também é importante do ponto de vista de saúde pública, já que as verbas não são infinitas." (Fonte Jornal O Sul - 03/08/2010)