“O suco de uva elaborado no Brasil tem caráter e personalidade únicas”. A afirmação é do jornalista Kelvin King, da revista inglesa Soft Drinks International (www.softdrinksjournal.com), que circula em mais de 110 países, depois de visitar, oito empresas produtoras na Serra Gaúcha. “Há um sabor e um aroma diferenciado de outros sucos produzidos no mundo”, garantiu o jornalista, que escreve para uma das principais publicações especializadas em bebidas alcoólicas do mundo.
King percebeu uma grande preocupação com a qualidade do suco produzido, “a mesma que há na elaboração dos vinhos e espumantes, inclusive em pequenas empresas”. “Em outros países, o suco é tratado como commodity, com cheiro e sabor iguais, sem graça”, observa. “Arriscaria dizer que o suco de uva feito no Brasil é um vinho sem álcool”. O jornalista, que também escreve sobre vinhos para a revista Drinks Biz, na Nova Zelândia, aconselhou as empresas gaúchas a continuarem no mesmo caminho — privilegiando a qualidade e não a quantidade.
A vinda do profissional foi promovida pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), em conjunto com a Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e apoio do governo do Estado do Rio Grande do Sul. O jornalista neozelandês visitou a Muraro, Perini, Golden Sucos, Aurora, Dom Cândido, Battistello, Salton e Casa de Madeira/Valduga. A vinda do jornalista à Serra Gaúcha integra a parceria entre o Ibravin e o Ibraf para promoção do suco de uva no Brasil e no mundo, dentro do Programa de Desenvolvimento Setorial do Suco de Uva.
Sobre os vinhos nacionais, Kelvin King destacou sua experiência na Vinícola Perini. “Fiquei surpreso com a complexidade, diversidade e qualidade. Tomei, por exemplo, pela primeira vez na vida, um vinho da uva Marselan [da vinícola Perini], que nunca tinha experimentado antes. Vejo um grande potencial para o vinho brasileiro no mercado mundial. Mas é preciso paciência e investimento contínuo.”